sábado, 22 de agosto de 2009

“os homens valentes têm uma estrela no lugar do coração”

Vai parecer difícil pra você acreditar, talvez, mas tem gente que insiste em optar pela alegria ao invés do remorso. Ao mesmo tempo em que algumas garotas e garotos enxergam somente os problemas e esquecem de toda a beleza ao seu redor e de todas as possibilidades ao seu alcance, outras garotas e outros garotos lhes têm as chances muito distantes e boa parte da beleza negada. E ainda assim sorriem.

É difícil ter muita sede e fome de tudo, inclusive de carinho, que faz um puta dum buraco no peito, e não saber nem o que é que está faltando porque nunca teve, e não saber nem que a angústia de todo dia é por conta desse buraco, que de tanto tempo buraco vazio, já virou parte da pessoa. E aí qualquer coisa serve pra tentar encher. E ódio é uma coisa muito fácil de conseguir por aí, se não tomar cuidado. Ódio e vontade de culpar alguém, porque no fundo ninguém pode fugir da culpa. Eles têm e eu não, eles são os culpados! É o Sem-Pernas, que já de tão machucado desacreditou que alguém ia mesmo gostar dele. Que nos seus sonhos só via o mesmo ódio que via acordado.

Mas têm alguns, e são poucos, que apanham e levantam e apanham de novo, mas têm alguma coisa que os faz acreditar que existe algo que não dor e raiva no mundo, e eles sabem por que existe em algum lugar dentro deles. E são poucos mesmo, por que não é nem um pouco fácil apanhar tanto, ouvir tanto que não se é nada, e ainda assim acreditar que, além de ser alguma coisa, ainda pode ousar ser uma coisa boa. Não sei se eu conseguiria. Que nem Pedro Bala, que fez muita coisa errada mesmo sem saber que era errada e viu muita coisa errada, e não achava aquilo normal, e tinha fome muitas vontades insaciadas, mas andava pelas ruas e olhava o cais de cima da ladeira e não podia conter o sorriso e a felicidade de ser um menino livre na cidade da Bahia. Depois ele descobriu até que podia ter vontade de mudar o mundo, que podia, além de sorrir, provocar um ou dois sorrisos.

Eu sei que os Capitães da Areia são personagens (muito bem) criados por Jorge Amado. Mas tenho a certeza absoluta que existem Pedros Bala, e muitos Sem-Pernas em Salvador, em São Paulo, em Socorro do Piauí, em Nova Delhi, em Bogotá, em Lagos, em Nova York. Em outros lugares e situações que eu queria colocar aí, mas não sei o nome, e não me orgulho disso.

Tem tanta dor aí fora que, por mais que eu tente, não consigo de jeito nenhum imaginar como é sentir. Como é ter nove anos e assistir a morte dos seus pais, depois ser treinado pra lutar contra o seu povo. E como ainda sobrevive. E, se sobrevivem, se são tantos, é quase impossível acreditar que em nenhum exista uma luz. Ainda que fraca, ainda que sozinha, mas ainda resta amor.

Que seja em um só coração, mas em algum lugar se esconde esperança.

Anos de civilização, e ainda assim...

A criatividade continua a ser reprimida. Até quando? Quanto tempo levará para que as sociedades se dêem conta de que sempre há maneiras inesperadas de evolução? Além de todas as metas que impomos a nós mesmos, como por exemplo, extinguir a fome no planeta (o que ainda acontece e se torna cada dia mais vergonhoso), ainda existe evoluções que nós mesmos desconhecemos, e é fundamental que tenhamos a humildade de percebê-las e aceitá-las quando forem descobertas.

Sempre há algo mais para se aprender. Conhecemos pouco, mas o suficiente para saber que o universo é grande demais para a concepção humana, e ainda assim nos sentimos muitas vezes no direito de achar que não há verdade superior à que acreditamos... mas não é muito contraditório?

Para chegarmos onde estamos, na maneira como vivemos, para que uma garota possa escrever um texto em uma tela, apagá-lo e refazê-lo quantas vezes quiser com dois botões, publicá-lo para que, em questão de segundos, milhões de pessoas possam ter acesso a ele... Por quantas revoluções não passamos? Quantos sonhadores não foram chamados de loucos ao menos cinco vezes antes de se provarem gênios?

Mesmo o homem mais brilhante e mais ousado de tempos antigos, se soubesse o que acontece no mundo no ano de 2009, acharia que era invenção, fantasia. E não é preciso voltar muito no tempo, o mundo produz conhecimento numa escala cada vez maior, novas idéias de dois anos atrás já se tornaram obsoletas. E ainda assim, continuam se achando no direito de decidir o que é normal e o que não é, o que é válido e o que é perda de tempo, simplesmente por preguiça de entender ou por medo do que é novo. (Tantos erros que repetimos há milhares de anos e cometemos mais uma vez, sem prestar atenção!)

Existem os desafios que conhecemos e almejamos. Eles são excitantes, inspiradores, maravilhosos!

Imagine então os desafios que de tão grandes nós ainda desconhecemos.

Imagine o ser humano que, já capaz de povoar Marte, olhará pela janela a imensidão e pensará: “E agora? Para onde vamos?”

sábado, 1 de agosto de 2009

Chance

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

Não vou cometer o grande erro de reclamar. Somos humanos e o nosso funcionamento é facilmente afetado por outros. Você não pode se programar para estar completamente bem e disposto amanhã, por que basta um certo gesto daquela certa pessoa e bam, não tô mais a fim de nada.
Mas é exatamente essa condição que que faz também o caminho inverso.
Pode ser um dia cinza, um céu de merda, um rio e uma televisão. Mas se você deixar, se focê for todo Jim Carrey naquele filme e disser sim pra um convite ou mesmo para um plano que vc estava fazendo havia muito tempo e agora você pode...
É tudo novo de novo.
Vai, se arruma, faz a barba, se depila e passa creme! Quem disse que não tem ninguém pra ver? Foi o passado? O passado não tem esse direito de te lembrar do que você não tem, nunca teve, ou já teve e não tem mais. Guarda esse passado, mas guarda em uma caixa onde você não vai mais mexer... deixa lá.
Deixa lá, que a campainha tá tocando, e é melhor você estar bem apresentável pra quem ou o que quer que seja que vem por aí.


Nasço amanhã
Ando onde não há espaço:
- Meu tempo é quando.
(Trechos de Poética, de Vinícius)